Brasília - As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) mantiveram a expectativa de que não haverá mais corte na taxa básica de juros, a Selic, este ano, e reduziram a estimativa para 2013 de 8,25% para 8%.
A informação consta do boletim Focus, publicação semanal do BC, elaborada com base em estimativas para os principais indicadores da economia.
Com a economia em ritmo mais lento, a taxa Selic, instrumento para influenciar a atividade econômica e, por consequência, calibrar os preços, começou a ser reduzida em agosto do ano passado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Na última quinta-feira, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, indicou que pode não haver mais espaço para corte na taxa Selic este ano. "Houve choque no mercado de commodities [produtos primários, com cotação internacional], que, por natureza, é um efeito imprevisto que desvia a inflação temporariamente dessa trajetória de declínio [para a meta, este ano]. Nosso entendimento é que, caso não tivesse ocorrido esse choque no mercado de grãos, a inflação iria convergir para a meta este ano", disse Araújo, na última quinta-feira.
Para o diretor, a inflação ficará acima da meta, apesar do ritmo mais lento da economia nos primeiros seis meses do ano, com expectativa de recuperação neste semestre, devido á alta dos preços de commodities (produtos primários, com cotação internacional).
Para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa é de 5,36%, ante 5,35% previstos na semana passada. Essa foi a 12ª semana seguida de alta na projeção para 2012. Para o próximo ano, a estimativa passou de 5,5% para 5,48%.
Cabe ao BC perseguir a meta de inflação que tem como centro 4,5% e margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Dessa forma, as projeções do mercado financeiro estão acima do centro da meta, mas abaixo do limite superior de 6,5%.