
A Receita Federal deflagra nesta quinta-feira (17/09/2026) a Operação Termidor. O trabalho, realizado em parceria com a Polícia Federal do estado do Pará, tem por objetivo combater suposta organização criminosa que teria se infiltrado no setor dendezeiro do Pará e estaria praticando, em aparente associação com servidores da área de segurança do estado, furto, receptação e comercialização ilícita do fruto do dendê, bem como lavagem de capitais e ocultação de bens, direitos e valores obtidos com a prática criminosa.
A investigação tem como foco grupos empresariais que movimentaram pelo menos R$ 1 bilhão nos últimos 4 anos em recursos financeiros, misturando-se valores lícitos e ilícitos na cadeia econômica do dendê.
Investigações
As investigações se iniciaram a partir da apuração da chamada "guerra do dendê" instalada, notadamente, nos municípios paraenses de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia. Trata-se de região marcada pela monocultura intensiva do dendê e pela presença histórica de comunidades indígenas e quilombolas, na qual se estabeleceu aparente estrutura criminosa armada dedicada ao furto, à receptação e à comercialização ilícita do fruto, bem como à lavagem dos vultosos proventos dela decorrentes.
No curso das apurações, foram constatados indícios de relevantes irregularidades fiscais, entre elas a incompatibilidade entre a capacidade econômico-financeira declarada e real dos principais investigados, a movimentação de valores incompatíveis com o faturamento mensal das empresas investigadas e a ocorrência de pagamentos habituais a fornecedores ou beneficiários que não apresentavam ligação com a atividade ou ramo de negócio da cadeia econômica do dendê, além da comercialização de mercadorias sem o correspondente registro de entrada nos estoques das empresas investigadas. Foram ainda constatados elementos indicativos da prática de lavagem de capitais, incluindo a constituição de empresas em nome de interpostas pessoas e a manutenção de patrimônio em nome de terceiros.
A atuação da Receita Federal foi fundamental na análise fiscal, patrimonial e financeira dos envolvidos. Os levantamentos realizados apontaram que as empresas sob investigação movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026, sem a correspondente comprovação documental e contábil capaz de justificar parte da origem e destinação dos recursos.
Os documentos e equipamentos apreendidos durante a operação serão submetidos a análises complementares, em conjunto com informações fiscais e bancárias dos investigados, para aprofundamento das apurações.
A operação
A operação cumpre 9 mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão nos estados do Pará e São Paulo, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da SJPA. A decisão judicial também determinou o bloqueio de cerca de R$ 153 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão por tempo indeterminado das atividades econômicas de 11 empresas investigadas. Participam da operação 13 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal.
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